Impeachment, PT e eleições municipais: Veja a entrevista exclusiva de Aliel Machado

Por Igor Rosa

Em uma entrevista exclusiva ao portal D’Ponta Web News o deputado federal Aliel Machado (PSB) fez revelações inéditas e respondeu a perguntas polêmicas que envolvem sua vida pessoal e política. Aliel recebeu nossa equipe de reportagem em seu escritório regional, em Ponta Grossa. Do irmão que morreu afogado ao voto contrário ao impeachment, o parlamentar não hesitou em comentar todos os assuntos propostos no bate papo.

Na entrevista, o deputado que representa os Campos Gerais em Brasília falou sobre o impeachment de Dilma Rousseff, sua relação com o Partido dos Trabalhadores (PT), contou se já foi instigado a receber propina para beneficiar grupos isolados, além de avaliar o governo Rangel e falar dos bastidores das eleições municipais de 2020.

Logo no começo do bate papo, Aliel contou o porquê entrou neste ‘mundo conturbado’ que é a política. “Sou um ativista político, nunca sonhei em ser deputado. Meu sonho era ser vereador. Lá no meu bairro faltava muita coisa e, sabendo dessas necessidades, entrei para o movimento estudantil. Achávamos que devíamos ter uma voz na Câmara Municipal”, relatou.

O deputado fez referência ao que é hoje pelo que foi quando criança. “Eu sou uma pessoa que precisou trabalhar muito cedo, comecei com 8 anos de idade, legalmente inclusive, porque tinha um programa da prefeitura que me encontrou na rua quando eu catava reciclável com meu pai desempregado”, disse. “Morávamos em dois cômodos”, relembrou.

Aliel contou do vínculo que mantém com a família, mesmo tendo milhares de compromissos a cumprir por conta da agenda agitada que carrega. “Estou em um lugar que tomo decisões muito difíceis e a política vive um momento de muito descrédito. Continuo morando no mesmo lugar, na Vila Hilgemberg, não na mesma casa porque sempre moramos de aluguel. Quando estou em Brasília falo todos os dias à noite com minha mãe e minhas irmãs. Não importa o horário, mas sempre ligo para pedir a bênção da minha mãe. Tenho muito orgulho da minha família e da oportunidade que tive de chegar onde estou”, confidenciou o deputado. Veja o vídeo com o trecho da entrevista.

Em 2016, ano de eleição municipal e ano de uma das principais votações na Câmara Federal. Neste ano, deputados discutiram, debateram e votaram o processo que daria abertura ao impeachment da então presidente petista Dilma Rousseff. Aliel contou o porquê votou contra o processo que tirou o PT do poder. “Nunca fugi da responsabilidade de tomar decisões difíceis. Impeachment é um processo que trata de questões administrativas. O que estava por trás naquele momento era um acordo político. Eu entrei na Justiça para caçarem a chapa. Defendi uma nova eleição”, relatou.

Aliel disputaria no mesmo ano do impeachment a corrida eleitoral para a prefeitura de Ponta Grossa. Seu nome era um dos mais aclamados pela população para ocupar a cadeira do executivo municipal. Por conta de seu posicionamento naquela votação, as pesquisas mostraram uma queda nas intenções de voto. Seu voto em Brasília definiu as eleições na cidade. Passados três anos, Aliel responde se, em algum momento, ficou arrependido de ter votado contra o impeachment. Veja abaixo.

É inevitável que os eleitores ligam o nome de Aliel Machado, por ter um posicionamento de esquerda, ao Partido dos Trabalhadores. O deputado respondeu qual a sua relação com o PT. “O PT passou momentos de glórias no país, com aprovação acima de 80% e eu nunca fui do PT. Fui convidado várias vezes para me filiar, porém nunca fui do PT”, afirmou.

“O PT despertou o sentimento de esperança nas pessoas, fez muitas coisas boas, mas cometeu muitos erros. Teve o seu ciclo encerrado. O Brasil merece avançar além do PT. Em Ponta Grossa eu tive uma ligação com o Péricles, que foi prefeito da cidade, na minha opinião uma pessoa muito séria e merece meu respeito. Ele tem a vida partidária dele no PT, eu tenho a minha vida que nunca teve ligada ao PT”, disse.

Aliel comparou sua ligação com a de qualquer outro político da cidade. “O prefeito de Ponta Grossa e o irmão dele apoiaram o PT. O Marcelo (Rangel) meses antes da eleição deu uma declaração que iria apoiar a Dilma enfrentando o partido dele”, destacou. “O Pauliki apoiou a Gleisi junto comigo. Na época ela era candidata e ninguém tinha as informações do que apareceu depois”, expôs.

“Como não tem com o que me atacar, como tenho posicionamento político, criam fakes e fatos para tentar falar que sou subordinado ou ligado ao PT, o que nunca fui”, completou.

Veja o trecho completo no vídeo abaixo.

O deputado respondeu se, nestes anos como deputado em Brasília e vereador em Ponta Grossa, já recebeu propostas de propina e corrupção. ”Nunca”, afirmou. “Pelo meu posicionamento forte as pessoas têm medo de me procurar pra isso”, sugeriu.  

Voltando ao cenário político em Ponta Grossa, Aliel fez uma análise dos bastidores das eleições municipais de 2020. “Acho que a política está muito dinâmica. Muitas coisas podem acontecer. O que temos hoje é a definição de alguns grupos políticos que têm força na cidade. O grupo do prefeito, que se reelegeu. O nosso grupo que disputou a última eleição. Nós discutimos os temas da cidade”, relatou. “Em 2016 eu disputei a eleição porque não tinha nenhuma candidatura forte que questionasse e não fizesse acordo com a administração municipal”, relatou. Veja o trecho na íntegra.

Ponta Grossa conta com dois deputados federais que representam o município na Câmara dos Deputados, defendendo ideais e buscando verbas para a região. Recentemente Sandro Alex (PSD) se licenciou de suas funções em Brasília para assumir uma secretaria no governo Ratinho Júnior. Imaginando uma eventual vitória de Aliel Machado nas urnas, a cidade ficaria sem representantes na Capital Federal. Aliel é categórico em sua resposta. “Só deixarei de ser deputado se eu for eleito prefeito de Ponta Grossa. Então se eu for eleito, isso quer dizer que a maioria dos eleitores entenderam que eu poderia colaborar mais a cidade como prefeito do que como deputado. Esta é uma decisão que cabe ao eleitor”, disse. “O Sandro se licenciou, ele pode voltar a ser deputado a qualquer momento”, concluiu.

Fazendo uma análise dos votos de Aliel, comparando as eleições de 2014 e 2018, o deputado teve um aumento no número de votos em todo o estado, porém sua votação em Ponta Grossa caiu de pouco mais de 61 mil votos para quase 26 mil. Para ele, esta queda no número eleitores adeptos a sua candidatura não é mais que o momento político. “Teve uma divisão maior. Mesmo assim fui o segundo mais votado na cidade”, disse.

Assista ao trecho no vídeo abaixo.

Aliel Machado é um dos principais nomes da chamada oposição ao governo municipal. Em uma avaliação, destacou coisas boas e ruins da gestão de Marcelo Rangel. “É um governo que teve momentos bons, muitas conquistas, isso se dá graças ao investimento federal”, falou. “Acho que o prefeito está muito bem na área da educação, as ligações de bairro, porém a cidade pecou em muitos segmentos. O transporte não se modernizou, a saúde peca muito”, concluiu.

Assista abaixo.

Falando em saúde, Aliel foi um dos críticos ao anúncio da instalação da nova Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no centro da cidade, no prédio onde funcionava a maternidade Sant’Ana. Ele comentou sobre isso. “É mais uma propaganda que uma efetividade. Ali no centro já tem um Pronto Atendimento, que é ao lado do Pronto Socorro. Então PSM recebe urgência e emergência e ao lado as pessoas são atendidas em um pronto atendimento”, analisou. “Fazer uma UPA no centro para mim é mais um marketing, porque ganharam o prédio. Não era o local para ser feito. O ideal seria descentralizar este serviço”, finalizou. Veja o trecho no vídeo abaixo.

Aliel aposta em gestão técnica e menos político-partidária, segundo ele “diferente de Rangel”. “Um dos meus compromissos na eleição era cortar 50% dos cargos comissionados”, disse. Aliel contou o que faria de diferente do governo Marcelo Rangel, veja no vídeo abaixo.

Nos últimos dias, o transporte público de Ponta Grossa foi tema de discussões, protestos e polêmicas. Para o deputado federal no “transporte é público, é feito uma concessão. Há uma grande demagogia quando vejo falar no monopólio, enganam as pessoas”, criticou. “O transporte é da Prefeitura, é ela que determina tudo: o horário dos ônibus, o itinerário, as questões do terminal. A empresa só presta o serviço. Tem um contrato e uma lei (7.018). Falta a Prefeitura exigir que este contrato e esta lei seja cumprida”, disse.

“O prefeito tentou montar um projeto do fundo do transporte, para ter mais transparência. Com isso o prefeito assume que não tem transparência, enquanto na Justiça ele diz que tem transparência. Qual palavra dele que vale? Na Justiça, que diz que tem transparência ou na Câmara quando escreve que não tem controle total dos números, sendo que o contrato é da Prefeitura?”, indagou. “Ele se contradiz”, afirmou.

Veja abaixo.

Nestes anos em vida pública, Aliel Machado fez parte de partidos que sofreram diversas críticas por parte de empresários. “Essa questão ideológica é desculpa para boi dormir. Tem empresários que me atacam, alguns pontuais, que vendem uma imagem que não é minha, que receberam a Dilma em sua casa, cederam helicópteros”, falou. “Por trás da Prefeitura tem muito interesse financeiro. Esquemas absurdos, como por exemplo pessoas que tem interesse de alvarás duvidosos na cidade e muitas outras coisas”, relatou.

Ele comentou sobre a suposta aproximação com Marcio Pauliki, empresário e ex-deputado. “O Pauliki tenho respeito por ele, empresário de sucesso, tenho contradições em alguns pontos. Nós nos distanciamos muito. Em 2016 Pauliki foi pré-candidato até a última hora, mas não conseguiu viabilizar a candidatura. Quando fui para o segundo turno, Pauliki era adversário do Marcelo, eu pedi o apoio do Marcio, mas ele preferiu não participar do processo eleitoral”, relatou. “O que se diz é que houve um acordo do Pauliki que ajudou Marcelo a ser reeleito”, comentou.

Veja abaixo o trecho sobre o assunto

Na entrevista, foram citados alguns nomes para que Aliel pudesse fazer um breve comentário. Entre as personalidades citadas estão: Gleisi Hoffmann, Dilma Rousseff, Lula, Aécio Neves, Eduardo Cunha, Sandro Alex, Péricles de Mello, Jocelito Canto, Joao Barbiero e Marcelo Rangel. “Um prefeito midiático”, disse.

Assista abaixo.

O deputado federal comentou sobre a influência do comunicador Jocelito Canto no resultado das eleições em Ponta Grossa. “Ele é uma grande liderança. Influencia na vida de muitas pessoas. Ele tem uma grande força política e deve ser muito respeitado por isso”, esclareceu.

Alguns dias antes da entrevista, o D’Ponta Web News abriu um espaço para que os internautas pudessem sugerir perguntas ao parlamentar. Dezenas de pessoas participaram e cinco perguntas foram selecionadas. Assuntos polêmicos como CPI da Lava Jato, Sérgio Moro, mudança de partidos, entre outros, foram respondidos por Aliel. Assista no vídeo abaixo.

Antes de encerrar o bate papo, Aliel Machado fez uma avaliação da gestão do deputado estadual Plauto Miró Guimarães Filho, investigado pela Operação Quadro Negro, que apura envolvimento em desvio de dinheiro de escolas estaduais. “Sempre fui muito distante do Plauto. Está com vários problemas na Justiça, problemas graves, que merecem ser avaliados e investigados com muito zelo. Se for provado que tem envolvimento deve ser punido. Sempre garantido o direito de acusação e de defesa do deputado”, comentou.

Veja o que Aliel disse sobre Plauto.

No final da entrevista, Aliel Machado pode mostrar sua personalidade longe dos plenários, tribunas e de Brasília. Em um ‘bate-bola’ ele revelou que seu sonho é ser prefeito de Ponta Grossa. Aliel trabalhou como engraxate e catador de reciclável ainda criança. Mais velho, teve que suportar a morte do irmão. Veja abaixo um resumo de sonhos, arrependimentos, família e outros assuntos.

Assista a entrevista na íntegra, sem cortes, no vídeo abaixo.

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